domingo, novembro 26, 2006

A Portuguesa balançou mas não caiu

Não foi dessa vez que a Associação Portuguesa de Desportos foi pra mais fundo do poço.

Portugal, a nação, está numa draga desde a loucura de Dom Sebastião. O Rei órfão foi criado pelos jesuítas, virou um louco, achava que libertaria a África dos Maometanos, meteu o exército do seu País em uma batalha perdida no meio do Deserto e a derrota resultante destruturou o País.

A Lusinha do Canindé tem dessas de imitar a Pátria Mãe. Tinha categorias de base boas, formava craques e vendia-os por um bom preço. Era o que melhor se pode fazer na atual conjuntura do futebol brasileiro.

As disputas políticas internas do Clube levaram a equipa profissional a um crise que se prolonga a anos. Espero que a não queda pra terceirona seja o fundo do poço. A melancolia lusitana já produziu bons textos, mas não consegue produzir um País e pode acabar com um time.

O Velho do Restelo do Grande Pai de Portugal já falava que há de haver um certo cuidado com as ações ousadas sem que se tenha tudo arrumado em casa. Colocava que de nada adiantava conquistar o mundo e descuidar da Nação. Erro que Dom Sebastião e as Diretorias da Lusa não entendem.

– «Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!


(...)

«Deixas criar às portas o inimigo,
Por ires buscar outro de tão longe,
Por quem se despovoe o Reino antigo,
Se enfraqueça e se vá deitando a longe;
Buscas o incerto e incógnito perigo
Por que a Fama te exalte e te lisonje
Chamando-te senhor, com larga cópia,
Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia.

102 «Oh, maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Dino da eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e glória!


Quem se entusiasmar com Os Lusíadas, nesse endereço tem uma boa obra que acho que alguns sócios da APD não leram com a devida atenção as palavras do Velho do Restelo.

Abraços,