sábado, novembro 18, 2006

Puskas, o Ferenc

Confesso que, ao ouvir a apresentadora comentar que o futebol estava mais triste, pensei imediatamente em Nilton Santos. As recentes internações do lateral me fizeram suspeitar de um apito final.
Mas veio o intervalo e a moça esclareceu. Quem havia morrido era Puskas, o Ferenc.
Digo o Ferenc para lembrar da homenagem que Chico Buarque fez em Budapeste. As personagens húngaras de seu romance mesclam os nomes dos jogadores de 1954. Mas, como críticos literários parecem não ver futebol e cronistas esportivos parecem não ler, ninguém ligou muito para isso.
Voltando a Puskas, sua morte traz certas reflexões. A primeira delas é a de resignação: O Major está naquela interminável lista dos que não pudemos ver. É um de nossos craques de almanaque.
Dia destes, conversando com um são-paulino de 70 anos na padaria, este me narrou um drible que Canhoteiro havia dado em Djalma Santos, fazendo com que o lateral saísse de campo por perder a passada. Após o drible, Canhoteiro centrou e Gino fez o gol contra a Portuguesa. Então, o narrador me disse: “Quem viu aquilo... Ah! Aquilo é história”.
Puskas, Canhoteiro, Mauro, Luisinho, Di Stéfano. Todos são histórias que buscamos nos livros, álbuns e programas de televisão – fontes secundárias de nossa pesquisa.
Outra reflexão que automaticamente se desperta é a do tratamento que damos às nossas próprias lendas. Leio os jornais de hoje e constato que a cobertura sobre o falecimento é mais efusiva do que as que tiveram Leônidas, Didi e Zizinho. Estas, se não foram menores, foram ao menos pequenas ante a importância dos mesmos para o nosso futebol.
Aí só resta a tristeza quando se saúda o grande Real de 50/60 e se esquece que Evaristo estava lá. Ou, ainda pior, quando são esquecidos os nossos próprios esquadrões.
Outra constatação é a de que, desde sempre, a Espanha precisa de estrangeiros para dar alguma qualidade a seu futebol: Canário, Di Stéfano, Puskas, Cruyff, Maradona, Zidane.
Mas esta reflexão não cabe ao decoro do luto e é melhor ficar por aqui.

2 comentários:

Lucas disse...

Eu só conhecia Puskas pelas histórias. Por conta do seu falecimento, tive oportundiade de ver muitas imagens de suas jogadas. Uma de suas jogadas brilhantes era um drible que ele dava com a perna direita e um chute letal que ele dava com a perna esquerda antes mesmo de completar o drible.
Nunca vi nada parecido.

Tentarei fazer esta jogada... aguardem!!

Anônimo disse...

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