sexta-feira, dezembro 15, 2006

Não falei porque não quis

Há críticas aqui e ali sobre o fato de eu não me manifestar sobre os jogos no Japão. Não tenho um ódio visceral contra o Inter ou contra o Ronaldinho Gaúcho. Tem minha opinião que já expressei aqui. O melhor para mim seria se o América não amarelace e ponto final.

Há muitos caminhos para falar de qualquer tema, inclusive de futebol. Tem o caminho do policamente correto, todos devem ser respeitados; o do puxaquismo escancarado, eu gosto de quem tá ganhando; o do pseudo-justo-objetivo, é certo dar o devido valor aos que estão bem...

Não creio que haja essas possibilidades para mim. Pois, nunca ouvi falar de decisões totalmente impessoais. Totalmente corretas. Isso é meio papo furado para mim. Os consensos sobre as verdades de cada época são construidos por pessoas falíveis como a gente. Quem inventou a bala-chita, ou qualquer outra maravilha mundana, tinha pesadelos, amores e raivas como todo mundo tem.

Para vocês verem como as verdades científicas são construções nada imparciais, o debate sobre a preservação da natureza tem várias linhas. Uns acham que não há possibilidade do homem contemporâneo viver sem que deprede e degrade a natureza, pessimistas, e outros crêem que há possibilidade da humanidade viver em harmonia com as outras formas de vida terrestre. Quem se interessar pelo tema, vá atrás do autor Thomas Kuln e de sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas.

Tenho a impressãu que as drogas, as baixas taxas de natalidade e o edonismo poderiam ser interpretados como sinais de um fim. Algo do gênero: já que não tem jeito, vou aproveitar o quanto posso. Uma espécie de Baile da Ilha Fiscal planetário. É esperar pra ver o que vai dar.

Assim, tento seguir essas premissas quando escrevo sobre futebol. Minha opinião e meu gosto não são melhores e nem piores que os do Tostão a princípio. Se alguém quiser me convencer, por favor, gosto de mudar de opinião.

No esporte mais popular do Brasil e de boa parte do Mundo tem algumas características que o valoriza ainda mais. É uma competição onde o melhor não ganha muitas vezes. Ou seja, há espaço para a superação e para o sonho. Os objetivistas da bola dirão -- Poucas vezes, muito poucas vezes a melhor equipa não vence! Mas eles não me convencem. A cabeçada do Zidane é a prova mais recente disso. Se, por acaso, o Barcelona perder e o Ronaldinho Gaúcho amarelar em outra decisão, o melhor terá vencido?

(clique na imagem para vê-la maior!)

A minha frustação latente é que ainda escrevo muito mais do que deveria. A lição que o Tigre Hobbes ensina foi entendida por mim, mas até agora não consegui colocá-la em prática de forma satisfatória. Um dia, espero, chegar lá onde o felino indica.

Abraços,