quinta-feira, dezembro 21, 2006

O Avallone tem uma paciência

Ontem, estava a ver um pouco de tevê enquanto não chegava a minha hora de sair, quando vi os apresentadores do Gazeta Esportiva discutirem sobre o porquê da situação lastimável do futebol feminino brasileiro.

O comentarista Celso Cardoso dizia que os times femininos brasileiros não vão bem por que há um machismo entre os organizadores do nosso futebol e Osmar Garrafa entende que o futebol feminino não dá lucro e, por isso, não é levado a frente.

Fiquei meio assim com as pataquadas. Não sabia se escrevia ou não sobre opiniões que discordo. Achei que não deveria ocupar este espaço com eles.


Mas, lá pela meia noite, paro no Estadão para comer o tradicional pernil (cliquem na imagem para verem o sítio da instituição). Apesar de não mais freqüentar o Centro paulistano como antes, ainda faço uma visitas de cortesia. Manter as amizades é sempre bom.

Bem, estava eu lá a comer o meu pernil e minha namorada comenta comigo sobre um cara que estava pro lado dela, no balcão:

-- Não é o cara do futebol?

Antes de olhar, prestei atenção à voz e já identifiquei o Sr. Roberto Avallone. Disse a ela que era mesmo o ex-Mesa Redonda Futebol Debate da TV Gazeta.

Bem, fiquei na minha comendo o meu lanche de pernil, que era o que importava lá.

Mas como ele e o amigo dele e um fã conversavam em alto e bom som sobre futebol. O fã era meio chato. Percebi que o homem e o apresentador não são bem o mesmo. Ali, no bar, diante de um outro pernil, o Sr. Avallone mantia a forma de falar, mas já o seu conteúdo era bem outro. Foi preciso, claro e objetivo como nunca tinha o visto nas telinhas. Tirava um sarrinho bem discreto da cara do fã que cortou o papo entre o apresentador e o amigo.

Ninguém consegue ser uma personagem de gibi o tempo todo.

Desse modo, percebendo claramente isso, relevo as pataquadas que os sucessores do Avallone disseram ontem no Gazeta Esportiva. Jornalismo esportivo é um pouco mais ou um pouco menos um show. Tem personagens, enredos e conflitos; estruturas do teatro. Por isso, acho que dá pra muita gente assistir sempre. É a telenovela dos homens.

Afinal, do jeito que o futebol brasileiro vai, com todos os grandes jogadores lá fora, não há muito o que falar mesmo. Tenho medo que o pessoal do futebol acabe engrossando a "Zombie Walk" paulistana.

Abraços