sábado, dezembro 23, 2006

Um natal não muito cristão

Eu nunca fui um adepto das linhas da Igreja Católica Apostólica Romana e nem de outras linhas religiosas.

Por sorte, ou azar, também nunca gostei de psicólogos ou psiquiatras. Que considero os sucessores dos padres após a morte de Deus.

Assim, fiquei num mato sem cachorro. Pois, meu consciente não é capaz de lidar com as questões da minha vida. Não fui, também, ao mundo das drogas buscar sossego e transcendências. Tomar cerveja é se drogar, em termos médicos, mas eu não sou doutor.

Cá estou a viver no Brasil. Como não estou na terra dos Mariners, fico com o futebol e a cultura brasileira como apoios à minha existência.

Vejam bem que não estou sendo revolucionário em nada. Ontem a tarde ouvi minha tia dizendo o quanto era bom ir ao cinema para ver filmes em 3 dimensões com aqueles óculos de papelão que têm lentes verdes e vermelhas de plástico. É a percepção de que o antes era melhor que o atual, muito prezadas pelo Ocidente desde os Grego, com as Eras do Homem.

Essa forma: antes era bom, agora é pior e no futuro ficará melhor, é bem velha. Algo na linha do Éden, os dias de hoje e o Paraíso no além.

No futebol é algo assim também. Está dentro do cânon. Pelé e Garrincha serão igualados ou superados? Dificilmente! Olhem as vitórias de 94 de 02, quem as colocou acima das outras? Ou quem colocou essas seleções muito acima da de 50?

O passado é sagrado para mantenhamos a nossa identidade futebolística. Imaginem um sucessor para o Pelé para além do Ronaldinho Gaúcho. Acho que o 10 do Barcelona fez o seu melhor. Errou quem achou que ele era o sucessor do Pelé antes dele realmente sê-lo. O amigo Rodrigo, em um comentário, perguntou: por onde andaria o Kerlon "Foca"?

Não dá para segurar essa onda de ser craque no Brasil por muito tempo. Quem ganha mais com isso é a imprensa que nunca se queima ao lançar sucessores do Santos da Amarelinha.

Não quis, de forma alguma, comparar a minha pseudo-fé na magia do futebol à respeitabilíssima crença que cada um tem. A religiosidade de cada pessoa é um fato muito importante para ser tomado de modo não sério. Por ora, eu fico com minha vida terrena. Um dia, quem sabe, eu passe a crer em algo pós morte. Seria muito bom se encontrasse o Diamante Negro, se eu trilhar esse caminho. Um bom papo com ele seria, suponho, tão bom quanto uma ambrosia olímpica.

Abraços,