quarta-feira, dezembro 06, 2006

Um Deus Garrincha

Pelé pode ser considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos. O 10 d0 Santos fez tudo certo quando jogava e faz muito bem a sua auto-propaganda desde então. Mas o reconhecidamente maior driblador de todos os tempos, Garrincha, não foi o segundinho da lista dos melhores jogadores de todos os tempos. O maior Mané de todos os tempos está além dos limites da condição humana que moldam todos nós, incluindo o Edson.



A vida tão cheia de arte, tristezas, amores, misérias, glórias, de Garrincha, fez dele uma divindade. Claro que o carácter divino do maior jogador do Botafogo não tem nenhuma relação com a visão que as religiões monoteístas fazem de Deus. O Ponta Direita está tão impregnado de humanidade que não há espaço para poderes salvadores de toda a humanidade em paraísos não terrenos. Seus milagres são humaníssimos, em uma medida que poucas pessoas atingiram.

Muitos dizem que ele era simplesmente um simplório que deu a sorte de possuir uma habilidade inata bem acima da média. Mas essa abordagem consegue ignorar toda a beleza que ele criou dentro dos campos. Para ser o autor é preciso criar, defender o valor da criação, teorizar é coisa para os não criativos. Se, por exemplo, um homem considerado ignorante é levado pelo coração e ama várias mulheres e tem vários filhos, é considerado um tolo. Mas se o outro homem faz o mesmo é um Rei, classificam-no como um estadista. Garrincha é vítima dos que só conseguem ver o belo no que é igual aos seus.

Não sei concordando ou não, dando uma olhada no meu meus colegas da blogosfesra escreveram sobre o Deus-Homem, encontrei algumas colocações interessantes:

Artur coloca que bastou a Paulo Mendes Campos ver Garrincha jogar para que estivesse capacitado a escrever sobre o futebol. Cita uma frase do poeta: A verdade integral é a bola.

Vicente Adeodato, recomendando uma biografica do craque, fala: Se com os dramas tão contundentes Garrincha jogou com alegria, imagine se ele não tivesse os tido. Não teria sido quem foi, certamente.

AUGUSTO JUSTO & QUARLOS EIRÓS defendem que o legado de Garrincha, o futebol arte, morreu no dia 5 de junho de 1982, com o Desastre do Sarriá. Acho que não, as coisas humanas não tem muitas opções, é sempre um ir e vir dentre opções já conhecidas.

Buck Vincent, no texto Da velhice de um futebolista irreverente, parece ser um dos meus. Defende: "Paradigma de futebolista irreverente é Garrincha: jogou todos os jogos como se fosse o último jogo da sua vida, e como tal o melhor jogo da sua vida; e como diria Chico Buarque, bebia como se fosse o último copo da sua vida. Morreu sem glória, esquecido. Antes que o mundo futebolístico tivesse saudades dele. Isso fez dele uma lenda."

Luiz Nunes tem um texto histórico interessante: Mané Garrincha, Alegria do Povo.

Bem, dei a minha opinião, blogue serve pra isso. Notícia é pra se ler em outras paragens.

Abraços,