quinta-feira, janeiro 25, 2007

Ubi sunt?

A ausência dos que viveram antes sempre foi uma preocupação humana. Tal reflexão inspirou perguntas que vão de “Onde estão as neves de antanho?”, de François Villon, a “Por onde andará Stephen Fry?”, de Zeca Baleiro.
A mim, que não sei francês nem fazer música, a reflexão traz perguntas mais prosaicas como “Onde andará Euller? E o Valdir Bigode?”.
Ocasiões especiais para indagações semelhantes são os torneios de juniores: Copa São Paulo, Sub-20, Sub-17, Olimpíadas.
Sempre me perguntou sobre Andrei, centroavante que jogou no júnior do São Paulo no começo da década de 90. Ou sobre Eliel? Jacenir? Tonhão? Almir? Gilmar Popoca?
Hoje, lendo a cobertura da final entre São Paulo e Cruzeiro, vi a escalação do time campeão em 93. Catê, Jamelli e André Luís rodaram e rodaram, mas não foram o que pareciam poder ser àquela época. Pavão, Pereira e Sérgio Baresi praticamente sumiram. Mas o nome que mais me chamou a atenção foi o de Toninho. Era um bom atacante, sempre identificado pelos repórteres como “irmão do Sidnei”. Este, para quem não se lembra, era integrante dos Menudos, time campeão paulista em 85 e brasileiro em 86.
Em 93, quando falavam de Toninho, os jornalistas sempre ressaltavam que Sidnei não tivera “cabeça” e sumira. Toninho parecia mais centrado, pronto para vingar.
Ao final de um jogo, o repórter parabenizava Toninho por sua atuação; para encerrar o papo, perguntou: “E teu irmão, por onde anda?”
O jovem atacante respondeu que o mais velho estava num time do Paraná.
Lá se vão catorze anos e centenas de jogadores tentaram a sorte nos campeonatos de base. Toninho, hoje, deve ter 34 anos. Por onde andou todo esse tempo?