segunda-feira, março 31, 2008

"Bambi"ada


Após os resultados da penúltima rodada (que incluiu gol legítimo do Herrera anulado), como bom corinthiano, espero uma bambiada de um dos 2 rivais na briga pelo G4. Quem será que vai pipocar? A Mamaca, que sempre apronta das suas, na Vila Belmiro? Ou o time da Imperatriz, em casa, contra o time do velho Vamp?

Me aguardem domingo...

domingo, março 30, 2008

Rio Claro Futebol Clube - Ridendo Castigat Mores

Caro Miro,

O seu Agüinha não se manteve na 1a divisão do Paulista. Em 2009, veremos ele jogando na Segundona. Não sei se dai de cima fará muita diferença para você.

No ano passado, vi o Rio Claro Futebol Clube se livrar do rebaixamento na última rodada com uma vitória de virada sobre o Paulista lá seu estádio em Jundiaí.

Não sei se foi o coleguismo ferroviário que nos aliviou a barra em 2007*.

Mas, de qualquer forma, na Cidade de Rio Claro já está estabelecido uma hierarquia inconteste: Rio Claro tem 2 anos na 1a e o Velo somente 1. Os velistas nem têm por onde escapar ao papel coadjunte que lhes é característico.

Creio que ainda nesta presente década teremos o prazer de ver o Galo de volta à 1a.

Já ouvi alguns sussurros aqui e outros por ali que classificam a estada do Agüinha na 1a do Paulistão como um Sonho de uma Noite de Verão.

Mas, para responder esse murmúrio, fico com a fala uma das personagens de Shakespeare na peça:

HÉRMIA - Se sempre contrariados foram todos os amantes sinceros, é que o próprio destino o determina desse modo. Que nos ensine, pois, a ser pacientes a nossa provação, já que é desdita fatal dos namorados, como os sonhos, pensamentos, suspiros, dores, lágrimas, do pobre amor são companheiros certos. (Trecho da tradução de Nélson Jahr Garcia)

Agora, Miro, que o Agüinha saiu dos holofotes, haverá uma saudável penerada entre os torcedores. O Rubem, do Bateu é Gol!, já disse para o nosso time que onde estiver, estarei!.

Abraços,


* Miro e sua esposa trabalharam na Companhia Paulista de Estrada de Ferro que inspirou o nome do time de Jundiaí.

sexta-feira, março 28, 2008

Esporte Clube XV de Novembro de Jaú

A noite de 27 de março de 2008 ficará marcada com uma mancha no futebol paulista. Dois dos maiores clubes do interior amargaram o rebaixamento pra séria A-3 do Campeonato Paulista. A Inter de Limeira, campeão paulista de 1986 e o grande XV de Jaú, maior celeiro de craques do futebol paulista.
O time jauense tem tradição com a mulecada. Na faixa Sub-20 foi campeão paulista em 2005 e vice em 1984. Com o time Sub-17 foi campeão em 1985 e 2002. Sormani (Santos, Milan e Seleção Italiana), Dino Sani (Boca Jrs, SP e Milan), Sony Anderson (Barcelona, Lyon e Seleção Brasileira), Edu (Santos do Pelé, Corinthians de 77 e Seleção Brasileira), Marolla (Santos e Seleção Brasileira), França (SP e Seleção Brasileira), Edu (SP, Barcelona, Lyon e Seleção Brasileira), Edmílson (SP e Seleção Pentacampeã), Kazu (Santos e Seleção Japonesa), Wilson Mano (Corinthians), Afonsinho (Santos de Pelé, Flamengo e Fluminense), entre outros tantos, pra não avançar muito no tempo, fizeram parte do plantel quinzeano.

É o time de coração. Aquele que pode ganhar do Corinthians quantas vezes quiser, que não vou me importar. Foi no Estádio Zézinho Magalhães ("Que Jauzão, o quê, porra?!") que assisti os grandes jogos de minha infância. Como o Todo Poderoso sofria quando vinha pra cá... Os bambis, então... compravam sempre a juízada pra tentar sair com um magro empate... Já carimbamos faixa de campeonato paulista dos porcos... E os lambaris, mesmo com Pelé, sofriam quando viam o verde e amarelo do manto...
Hoje, graças a uma série de fatores que vai desde Lei Pelé, amadorismo, falta de apoio, até calendário de competições, o Galo da Comarca não consegue se manter na elite do futebol. A última vez que lá estivemos data de 1996. Até o inexpressivo Agüinha anda melhor (mas não muito)... Passamos 8 anos na Série A-3 e de lá ressurgimos, em 2007, pra cairmos 2 campeonatos depois. Sinceramente, falta muito pra fazermos jus à seguinte passagem do hino do clube: "Quando entra em campo, com pinta de campeão, de Galo é chamado, pela multidão".


A bela e rica cidade de Jaú, popularmente conhecida como Capital do Calçado Feminino, está em falta com seu time. Dos 1.000 sócio-torcedores pretendidos, somos menos de 200. Os 15.000 lugares do estádio raramente são preenchidos... Patrocínio é difícil e escaso. Afinal, graças à cartolagem, disputamos um campeonato de 3 meses e, depois, dispensa-se o time todo, pra não arcar com salários, pois não haverá jogos. Em dezembro, monta-se outro time às pressas pra diputar o campeonato novamente. Assim, não há quem ascenda.

Hoje, com 11 pontos em 17 jogos, o Galo volta ao lugar onde não deveria nem ter passado. Espero que a cidade demonstre apoio e os dirigente, profissionalismo. Fazer do XV uma boa vitrine para o patrocinador. Fazer a mulecada da cidade ter amor ao clube, e por ele jogar ou torcer. Fazer encher o estádio. Fazer, como os antigos contam, que o time volte a ser o grande Galo da Comarca* do interior paulista! O importante é dar apoio ao time e não desistir jamais, mesmo que as dificuldades pareçam intransponíveis. Força, Galo!!

* A alcunha de "Galo da Comarca", segundo apontamento do esportista Manoel do Porto, publicada no Jornal Comércio do Jahu, foi atribuída ao clube em 1931, durante reunião da qual participavam representantes dos clubes que compunham a 3ª Zona do campeonato da Associaçao Paulista de Esportes Atleticos (APEA). Desta chave participavam, além do XV, a A.A. Barra Bonita, A.A. Mocoembu (Dois Córregos) e Bocaina F.C.
Em não aceitando a posição adotada pelos demais clubes, Manoel do Porto, delegado do XV, provocou a reação do Dr. Antônio Galizia, que representava o Bocaina. O Dr. Galizia, dirigindo-se aos demais, disse: "O XV quer ser o GALO e precisamos quebrar-lhe a crista". A frase do eminente baririense, na ocasião representando o Onze de Bocaina, teve a pronta resposta de Manoel do Porto, nestes termos: "Então o Sr. quer dizer que o XV quer ser o GALO DA COMARCA?". Dessa tirada filosófica de Manoel do Porto, nasceu a alcunha que é marca registrada do auri-verde Jauense. (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esporte_Clube_XV_de_Novembro_(Ja%C3%BA) - acesso em 28/03/08)







quinta-feira, março 27, 2008

Sálvio Santos vem aí

Além de vencer seus adversários, um time de futebol precisa cada vez mais vencer o árbitro.
Ontem, Sálvio, que já havia tomado dois pontos do São Paulo ao anular o gol de Adriano, conseguiu se superar: inverteu o resultado do jogo e alimentou as esperanças do Santos.
Outro que merece destaque é José Henrique de Carvalho: pendurou meio time da Lusa e, no final do jogo, qualquer queda de atacante do Palmeiras virava falta; e, ainda, conseguiu achar cinco minutos de acréscimo.
A Lusa, que desde o começo sofre com a ausência de seu principal jogador, não precisava de mais essa dor-de-cabeça.
Curiosamente, Kléber pega apenas três jogos de gancho. Hugo, no ano passado, por uma cuspida pegou quatro meses. O tribunal era outro, tudo bem. Mas cotovelada é agressão aqui ou no Rio de Janeiro. Pelo menos, deveria ser.
O Palmeiras, grande há mais tempo na fila do Paulista, parece ser o virtual campeão. Mas precisa de cuidado! Dependendo do que o Mirassol fizer hoje, a chance de os quatro grandes fazerem a semi começa a se insinuar. E então, em dois jogos, tudo pode mudar.
Dependendo da arbitragem, é claro.

Dunga é pato fora d'água

Quando Pato começou a despontar e a imprensa a cobrar sua convocação, Dunga fez uma objeção: é preciso ter uma história para vestir a camisa da seleção.
Só não esclareceu uma coisa: qual era sua própria história como técnico.
E numa lógica rasa: se Dunga pode ser técnico, por que Pato não poderia jogar na seleção.
Nisso (e não apenas nisso), percebe-se que Dunga está longe de ser um técnico. Basta lembrar de Felipão e Parreira, que, alheios ao passado mas vislumbrando o futuro, convocaram Ronaldo e Kaká para uma Copa do Mundo (!) sem se preocuparem com a "história" do jogador.
Fica o dilema: torcemos para o Brasil ganhar a Olimpíada ou não?

quinta-feira, março 20, 2008

Agorafobia

O Flamengo venceu de novo e, de novo, no Maracanã. Fora quando o Maraca é campo neutro, como no jogo contra o Botafogo, lá o time é imbatível. A torcida o empurra e intimida o adversário, como aconteceu ontem contra o Nacional mesmo sem a equipe completa.

Mas o que há com esse time que não consegue repetir as atuações fora de casa?

Vai ver que o Flamengo é agorafóbico: entra em pânico quando sai de casa. A única multidão que suporta é sua própria torcida, pois ela é parte de si.

Se o Rubro-Negro quer ganhar algo que não seja o Estadual, é preciso fazer algo a respeito. Porque ainda que se ganhe todos os jogos em casa, 50% de aproveitamento no total é muito pouco. E time o Fla tem.

segunda-feira, março 17, 2008

Perdi até no jogo de botão

Domingão foi um realizado o evento final de comemoração aniversário do Sr. Feio. Fui ao 22 com o meu idoso campo de futebol de botão e equipes.

Rafa, irmão de Feio, jogou com o Corinthians e eu fui de Santos. Não tenho a equipe do São Paulo completa. O resultado você depreende do título, mas não foi baba pro adversário.

Já fiz 1 x 0 e meti uma na trave logo no 1o tempo. Enquanto, eu, Magro ia jogando a la Bope, sufocando o adversário com um jogo ofensivo, Rafa se segurava como podia todo atrás a la pé de uva.

No 2o tempo, logo de cara marquei o meu segundo gol. Mas depois desse golzinho do 2 x 0, não acertei mais nenhuma bola na trave e nem fiz nenhum outro tento. No finalzinho, o adversário, em um golpe de sorte, faz 2 e o jogo vai para as penalidades máximas.

No melhor de três, cada um só acertou 1 golzinho. Então passamos para as cobranças alternadas, o cara me vence na quinta cobrança.

Pra você que já morou em alguma república e sabe como é juntar os amigos para tomar uma cervejinha, escutar boa música e dar muita risada, segue alguns momentos etílico-futebol-botãozídico do 22:

Primeiro se abre uma cervejinha e depois iniciam-se os trabalhos





A bola rolando



Lance disputado



O clássico pro gol



O melhor do domingão foi o presente de aniversário do Feio


Agora que o cara tá namorando, precisa ficar sempre asseado. Pelo menos, no começo.

Abraços,

domingo, março 09, 2008

Saudações da Lusa

Saudações lusas sid,

A portuguesa mostrou a sua força ao derrotar o temível são paulo e apresentou a todos que uma grande potência nos relvados brasileiros. Dá-lhe nau portuguesa!


abraços,
Gui

sexta-feira, março 07, 2008

Fortuna futebolística

Embananei-me no meu texto anterior. Não consegui construir algo que deixasse claro que, além de talento e dedicação aos treinamentos, o craque precisa ser abençoado pelo destino pra ganhar algo no futebol. Lógico, a denominação varia: graça divina, ter um pouco de sorte na vida...

Emerson Freire, no blogue Filosofando, explica a deusa romana que inspirou Maquiavel:
(A) deusa Fortuna que distribuía sorte e azar aos homens, era representada tendo em suas mãos o corno da abundância e um timão que representava a coordenação para a vida dos homens. A deusa usava uma venda nos olhos, não podia enxergar sua obra e distribuía a boa ou má sorte sem escolher a quem.

Sobre os jogos de quarta e de ontem, não acho que dê para explicá-los sem a máxima futebolística o jogo só termina quando acaba (aliás, atrbuida a Vicente Matheus por uns e a Neném Prancha por outros).

Nos comentários do meu texto pouco claro:

Rafael coloca que Me desculpem, mas o SP só empatou e venceu o jogo por causa da injusta expulsão do jogador adversário.

Arthur Virgílio, do Jogo Duro, diz que Dodô e Adriano são artilheiros natos, não é só questão de ter o cú virado para lua.

Carlão, Blog do Carlão (rs.. acontece Carlão Mineiro, valeu pela ajuda!), diz que Adriano não jogou nada ontem, assim como o SPFC. Fez dois gols, mas não jogou nada. Dodô sim, comeu a bola.

Mas é justamente por isso que disse que sorte é importante no Futebol.

Rafael, a explusão foi a sorte ajudando o SPFC. Arthur Virgílio, não acho que seja só a questão de ter ou não cu virado pra lua, precisa treinar e talento também. Carlão, é a mesma idéia.

Eu nasci em 75 e meu pai em 36. A Copa de 94 foi vista de forma bem diferente lá em casa. Ele, já conhecedor de outras conquistas baseadas mais no talento, não se emocionou tanto quanto eu.

Mas, agora, já dá para eu perceber um pouco do que ele queria me dizer lá em 94. O jogo contra a Holanda e a final não foram decididos em função do futebol superior da equipe brasileira. Em ambas as pelejas, pra mim, foi a Deusa da Fortuna quem ajudou o Baixinho e sua equipe.

Ou alguém duvida que sorte que os italianos não tiveram em 94 foi quem tornou-os campeões na Alemanha? Apostar em um craque é arriscado, envolve a fortuna dele jogar ou não bem. O Ronaldo original deu certo em 2002 e não deu em 1998; Zidane deu em 1998 e não deu em 2006; Pelé não deu em 66...

O Dream Team de basquete estadunidense da Olimpíada de 92 era algo, diga-se assim, desprovido de fortuna e exagerado na virtude. Não tinha desafio. Sabe aquele menino mimado que nem curte muito o brinquedo novo porque sabe que logo virá outro, é a mesma coisa. Jordan, Johnson e Bird num mesmo time significa tirar a venda do rosto da Deusa Fortuna.

Assim, o Magic pode até ter ficado muito feliz com aquela medalha. Mas, com todo respeito, é muito melhor comemorar algo que se torna especial em função de uma disputa em que o vencedor tem grandes riscos até chegar ao seu objetivo.

Ou alguém gosta de filme sem um vilão que coloque em risco o herói? Quanto mais o cara se fode, melhor fica o final da estória. O ser humano é masoquista.

Abraços,

quinta-feira, março 06, 2008

Um pouco de cu virado pra lua

Sem medo de me repetir, acho que futebol é o futebol porque não basta o cara ser bom; o jogador ou o time tem de ter um pouco de cu virado pra lua.

Não acho que seja 100 ou 200% de ânus lunar o quê que defina uma peleja. Sem dedicação, treino e tudo mais, nada feito.

Contudo, uma pessoa dotada da benção de ter o seu rabicó volvido para luna, e seja dedicada, pode muito bem ser um nada futebolístico.

Antes de ter sorte e dedicação aos treinos, acho que é necessário confiar em si. Acreditar que é possível fazer acontecer do jeito que se sonha. Mesmo que não role como na elucubração, crer é fundamental.

O Adriano e o Dodô me mostraram isso ontem:



Os dois artilheiros surgiram das categorias de base em grandes clubes brasilerios, mas só ganharam a confiança e o destaque após jogarem no exterior. Tá certo que o Dodô não foi devidamente aproveitado pelo futebol europeu, sorte dos coreanos.

Pega-se, no Brasil, um tanto a mais do que o necessário no pé dos jogadores brasileiros. Talvez porque não haja muito mais o que fazer por aqui.

Abraços,

quarta-feira, março 05, 2008

Como aproveitar a maior torcida do mundo?

A revista Mundo Estranho publicou uma pesquisa que indica a torcida do Flamengo como a maior do mundo – não somente no futebol –, considerando apenas os torcedores de dentro dos países em que os clubes têm sede. É evidente que times de futebol com melhor marketing, como Milan e Manchester United, têm uma imensa torcida fora de seus países e até de seu continente, mas não sei até que ponto isso pode ser considerado torcida. O Flamengo também tem lá sua torcida internacional. Por ser o maior time do Brasil, tem grande visibilidade, e por ter sido campeão do mundo, conquistou muitos adeptos multinacionais.

Na verdade, isso só confirma o que todos já sabiam. Confirma mais: que a administração do clube rubro-negro é uma das piores do país, pois com o potencial que tem, deveria disputar todos os anos a vaga no mundial de clubes!

Então, o que fazer para melhorar o Flamengo? Um grande passo foi dado: a instauração da FlaTV. Por doze reais mensais, o torcedor tem acesso a vídeos de treinos, entrevistas e momentos de descontração do time gravados em VT. Com mais de 32 milhões de torcedores, se 3 em cada mil torcedores assinarem, o valor supera o patrocínio da Petrobras, que é de 16,2 milhões por ano. Some-se a isso o dinheiro arrecadado com a timemania (por ter a maior torcida, o Flamengo tende a ganhar mais dinheiro na categoria "Time do coração") e não há limites para o que o clube pode fazer. Mas será que nossos dirigentes terão a competência, honestidade e vontade política para isso?

terça-feira, março 04, 2008

Vasco poliárquico?

Hoje eu me assustei com a notícia que me veio com as seguintes chamadas fluminenses:

Roberto Dinamite: 'Quero uma eleição limpa', no Jornal dos Sports;

Vasco terá nova eleição para presidente em 30 dias , em O Dia;

Justiça dá vitória à oposição e devem ser marcadas eleições no Vasco, no Jornal do Brasil Online;

Justiça anula eleição do Vasco, no Globo Esporte;

Eurico perde apelação contra a anulação da eleição, no Lance.

Ordenei as chamadas começando pela mais pró-Dinamite e finalizando na mais amiga do Eurico. Nem a imprensa esportiva tem como ser imparcial.

Não boto muita fé na nossa Justiça. Não que as juízas e os juízes sejam todos corruptos ou pecadores de qualquer ordem. Mas as idas e vindas, os meandros tortuosos pelos quais as causas circulam em nossos Tribunais não são um ambiente propício para que as divergências sejam resolvidas em tempo razoável.

Ainda não se deu prioridade à seguinte regra constitucional:
a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Inciso LXXVIII do Artigo 5o.

O Brasil é uma democracia desde 1988. Mas não se pode pensar que tudo tenha mudado da água para o vinho só em função de um novo pedaço de papel. Afinal, o Brasil é o País que tem as leis que não pegam e as pegam. Fazer a Constituição pegar é, no fundo, também uma responsabilidade de cada cidadão brasileiro, que a exerce quando respeita, por exemplo, as leis de trânsito.

Ao estudar a democracia americana, Robert Dahl criou o conceito de poliarquia. Disse, basicamente, que o poder não nunca se concentra totalmente na mão de um ou se divide igualmente entre todos. Ou seja, não há um absolutismo ou uma democracia puros. Assim, na medida que o poder se espalha em uma sociedade, passa-se de um regime autoritário para um poliárquico. O ideal democrático seria atingido se se cumprisse os seguintes critérios:
1. Participação Efetiva;
2. Votação igualitária em estágio decisivo;
3. Compreensão profunda do processo;
4. Controle da Agenda;
5. Inclusão.


O Eurico Miranda, no nosso caso prático, sentiu na pele a dureza de perder o Controle da Agenda da política vascaína.

Oxalá, alguns vascaínos sejam tocados pela idéia de que são cidadãos, não súditos, também em relação aos políticos brasileiros. Uma educação para a cidadania não escolar. Aliás, não há como não comparar os índices Gini, de distriuição de renda (inclusive educação), com o Corruption Perceptions da Transparency International. Quanto menos um povo estuda, mais é roubado.


O Vasco da Gama, cantado em Os Luíadas, deve ter se orgulhado da oposição vascaína ter proposto algo novo -- respeitos a regras claras.

Muita gente acha que democracia é só uma ideologia igual a tantas outras. Mais uma forma de se exercer o poder. Contudo, a própria história do Clube de Regatas Vasco da Gama mostra que se deve escolher um titular em função da bola que ele joga e não por ser o cara filho de alguém importante ou ter a pele clara. O resultado de se tratar todos igualmente é que os melhores ocupam as posições de destaque na sociedade e produzem mais para todos.

Alguém duvida que o Brasil nunca seria Penta se os negros e os pobres continuassem a serem excluídos dos campos em função do tom de pele ou da classe social? Se você concorda que sem Pelé, Garrincha, Romário e os Erres de 2002, não haveria Copas conquistadas; pense em quantos bons médicos, professores e administradores públicos o Brasil jogou e joga fora? O Machado foi o brasileiro do século retrasado e Pelé do passado. Ambos venceram o preconceito social e racial brasileiro em função de talentos sobre-humanos.

Tomará que os brasileiros percebam cada vez mais que respeitar o ideal democrático é fazer algo bom para si próprios porque há certas coisas que só são obtidas coletivamente. Conquistar uma Copa ou uma boa saúde são exemplos dessas vitórias que só vem se a equipe jogar em conjunto com os melhores como titulares.

Abraços,

domingo, março 02, 2008

Pompéia feliz da vida

Moro perto do Palestra Itália, na Pompéia, aqui em São Paulo. Logo após o jogo Corinthians 0 x 1 Palmeiras, fui ao mercado comprar uns comes para saciar a minha fome. São uns quinze minutinhos para ir e outros pra voltar.

Logo no começo do pequeno périplo pelas terras verdes da Pompéia, já percebi uns rostos sorridentes, gargalhadas altas e gestos gososos na padaria perto de casa. O padeiro português estava feliz com a alegria e conseqüente consumo maior dos seus clientes.

Os motoboys corinthianos de uma das pizzarias, tais como os palestinos que trabalham em Israel, estavam com os rostos contrariados diante da alegria do patrão. Um armistício tênue que pareceu estar seriamente ameaçado pelo sorriso do chefe.

Mais adiante, já perto do mercado, amigos oriundos de diferentes torcidas, que assistiram ao jogo juntos, se despediam. Os palmeirenses aproveitavam o momento, satirizavam os corinthianos ao emularem:

Sou louco por ti Palmeiras



Obviamente, entoavam essa frase do mesmo jeitinho que os corinthianos costumam fazê-lo.

Já no mercado, cruzei com alguns uniformes verdes que continham dentro palmeirenses felizes da vida. Os sorrisos que vi nos rostos deles me lembrou aquele de satisfação típico de final de um bom churrasco.

Na volta pra casa, foi mais do mesmo.

Este é o espaço paulistano que está feliz da vida hoje:


Abraços,