sexta-feira, novembro 30, 2007

Esparsas

Corinthianos se escondendo pelos cantos e chorando disfarçadamente enquanto o time balança bastante ameaçando cair pra segunda divisão. O lugar comum que repetem pra todo lado é que o Corinthians só não caiu ainda porque Goiás e Paraná conseguem se esforçar mais que ele pra perder jogo. Tenho evitado um pouco o futebol. Não sei quanto isso é verdade.



ao som estridente de clarinetes e alguns outros metais

r.k. rejeitou o convite de n.a.

pra assistirem impressionistas alemães


correu pra chegar cedo

e ter tempo de amaciar as chuteiras


Uma senhora negra torrava impacientemente café para agradar ao senhorzinho fumador de cachimbos enquanto no descampado ao lado gloriosamente se enfrentavam dois escretes nacionais de países extintos.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Heróis

Como nenhum dos três mosqueteiros do Na Cal se habilita a registrar seu testemunho de fiel, falarei sobre uma reportagem que li por esses dias.
Não sei se foi semana passada ou em outra mais ultrapassada, Carta Capital noticiou uma exposição num museu parisiense (não arrisquei o nome, pois dizem que por lá tem um museu e uma estação de metrô a cada esquina) sobre heróis.
Entre os bravos expostos, há os reais, os imaginários, os mortos, os vivos. Reúnem-se em tal conclave figuras como Guevara, Clark Kent e Zidane.
Sim, Zidane, o aríete; Zidane, o craque silencioso.
A escolha dos franceses é plenamente justificável, pois, mais do que as guerras, o esporte é o grande fornecedor de heróis modernos.
Já foi dito sobre o papel de representação da guerra pelos esportes. Dentre eles, o futebol parece o mais afeito às metáforas bélicas: artilharia,defesa e tática são apenas alguns dos empréstimos.
Mais do que isso, o confronto de dois times sempre encobre uma realidade maior: católicos x protestantes; monarquistas x republicanos; norte x sul; colônia x metrópole.
No Brasil, os grandes embates se dão entre clubes do mesmo estado e quase sempre a oposição é entre o time da massa e o de elite: Atlético x Cruzeiro, Bahia x Vitória, Atlético x Coritiba. As exceções se dão no Rio e em São Paulo, em que um time de colônia (Palmeiras e Vasco) rompeu o cerco.
Não, não me esqueci de Santos e Botafogo. Estes dois se impuseram pelas peripécias de seus heróis. Pelé, sem dúvida, um herói épico; mas Garrincha, um herói trágico. Assim como Zidane.

domingo, novembro 25, 2007

Moleque Travesso Campeão!!!

O Conde Rodolfo Crespi recebeu um bom público. O torcedor juventino compareceu em bom número para testemunhar algo não muito comum: um título.

Os prognóticos eram totalmente favoráveis ao time grená. O Juventus tinha a melhor campanha na primeira fase e não perdia um jogo na Rua Javari há quatro meses. Além disso, poderia perder por um gol de diferença, já que batera o rival em Lins por 2X1 na primeira partida.

A certeza foi aumentando quando Elias marcou um golaço e abriu o placar logo no início da partida. Aos 40 minutos do primeiro tempo, o árbitro marcou penalty para o time da casa. O torcedor juventino esfregava a mão, pois seria impossível o Linense marcar 4 gols no segundo tempo. Mas a bola bateu na trave e, ainda no primeiro tempo, o Elefante da Noroeste chegou ao empate.

O Juventus fez o que pode para garantir o resultado. Conseguia até os 40 minutos do segundo tempo, quando o Linense virou o placar. O jogo ficou dramático, pois o Linense pressionava em busca ao gol do título. Já nos acréscimos, a defesa juventina tirou uma bola em cima da linha do gol. No lance seguinte, penalty para o Linense.

A esperança do título para o time da Mooca estava nas mãos do goleiro Marcelo. Ele acertou o canto, mas não conseguiu agarrar a bola. A torcida do Linense, que também compareceu em bom número, gritava "É Campeão!". Mas, o Juventus não desistiu. Partiu para cima nos segundos que restavam e conseguiu o gol do título.

Foi, sem dúvida, o jogo mais emocionante da temporada. Graças a esta conquista merecida, o Juventus disputará a Copa do Brasil em 2008. O Santo André, campeão da Copa FPF em 2004, venceu a Copa do Brasil em 2005. É a hora do Juventus!!

***

Os torcedores do Linense reclamam da arbitragem. Alegam que tiveram um gol mal anulado e que o gol foi marcado após o fim dos acréscimos.

No que diz ao gol impedido, mesmo se a posição fosse legítima, o resultado não mudaria. Afinal, o lance ocorreu poucos minutos antes do gol do empate do Linense. Quem disse que o segundo gol viria do mesmo jeito?

Quanto ao gol no final, o tempo acrescido é perfeitamente justificável. Afinal, entre a marcação do penalty do Linense, já nos acréscimos, e a saída de bola, passaram-se dois minutos. E se a arbitragem quisesse beneficiar o Junventus, como alegam, seria muito mais fácil não marcar o penalty duvidoso e encerrar a partida naquela hora.

sexta-feira, novembro 23, 2007

O palco da Copa

O jogo de quarta, dizem, era um "ensaio" para a Copa do Mundo. Atrás de mim, na arquibancada azul, ouvi alguém falando inglês. Seria um inspetor da FIFA infiltrado? Provavelmente, não, já que sua interlocutora falava português. Imaginei como seria o relatório de um agente da FIFA se ele me acompanhasse no jogo.

Suponhamos que Joseph Blater dissesse a um inspetor fictício: "Vá ao Brasil e comporte-se como se você fosse um cidadão comum. Compre seu ingresso para um dos setores populares e assista ao jogo lá."

Em primeiro lugar, a ordem do presidente da FIFA não poderia ser cumprida à risca. O cidadão comum não teria R$ 60,00 para pagar pelo ingresso mais barato. Também precisaria utilizar o transporte coletivo para ir ao estádio. Por isso, o nosso inspetor fictício considerou "cidadão comum" aquele de classe média.

O inspetor da FIFA precisaria comprar o ingresso no primeiro dia de vendas. Deveria chegar muitas horas antes da abertura das bilheterias para ter alguma chance. Caso contrário, para não dizer ao chefe que sua missão falhara, precisaria recorrer aos cambistas, a não ser que encontrasse um amigo com ingressos sobrando. Ele foi conosco.

Para ir ao jogo de carro, prudência era necessária. O inspetor e mais cinco pessoas sairam de Pinheiros pouco após às 20 horas. Chegaram nas proximidades do estádio às 20:45. O carro foi estacionado numa das ruas residenciais que cercam o estádio. Logo, avistamos três senhores uniformizados, com colete azul escrito "segurança". Um deles, eloqüente, ditou as regras: "Com licença, sem querer intimidar. Aqui é um lugar seguro. Para o jogo de hoje, para garantir a segurança total, reforçamos o grupo e somos três. Por isso, hoje cobramos R$ 25,00. Um deles tinha uma prancheta em que anotava a placa dos carros. Combinamos R$ 20,00 a serem pagos no retorno. O inspetor perguntou se era um estacionamento a céu aberto?

Caminhamos em direção ao estádio, que estava realmente bonito com a iluminação especial. O Morumbi é, de fato, imponente. O público caminhava com certa organização. O inspetor estava com fome, queria comer um lanche antes de entrar. Sugeri um sanduíche de pernil ou de calabresa. Falei que dezenas de barraquinha vendiam este lanche há muitos anos, uma tradição da cultura futebolística brasileira. O inspetor adorou a idéia. Não encontramos, nenhum. O inspetor só poderia comer os kits do Habib's vendidos dentro do estádio.

Passar pela catraca foi tranqüilo. O inspetor reparou que os ingressos de algumas pessoas não passavam. "É falso", sentenciava o funcionário.

O problema foi acessar as arquibancadas. Para quem nunca foi às arquibancadas do Morumbi, o acesso às cadeiras é feita por uma entrada enorme que dá.... num pequeno muro. Ou seja, o torcedor não pode entrar em direção reta, ou seja, embora a entrada seja grande, ele só conseuge acessar as cadeiras lateralmente, num espaço pouco maior que uma porta comum. E como os lugares próximos às entradas são os que possibilitam a melhor visão do campo, os primeiros que chegam já se postam por ali. Os que chegam depois, param na entrada para ver onde tem lugar disponível, congestionando a entrada. O inspetor viu um policial militar próximo ao muro e foi perguntar a ele onde era o assento marcado em seu ingresso. Antes dele, um casal se aproximou e fez a mesma pergunta. "Onde você achar espaço, você fica" foi a resposta.

Como chegamos a apenas meia hora do início da partida, os únicos lugares disponíveis eram os que ficavam nos cantos e no alto. Só há degraus para subir as arquibancadas no corredor próximo à entrada. No mais, é preciso subir pelos próprios assentos. Ainda bem que o Sr. Blatter mandou um inspetor jovem. Não é fácil para um idoso subir um degrau de cerca de meio metro.

O inspetor assistiu ao jogo em pé. Não por frescura, já que o assento era imundo, mas porque todos à sua frente também estavam em pé.

No intervalo, ele quis tomar uma cerveja. "Só sem álcool", uma norma imposta há anos para diminuir a violência no estádio e que só existe em São Paulo. Contentou-se com um copo de água mineral a R$ 2,00 e foi ao banheiro. Papel higiênico, sabonete, toalha de papel são artigos ordiários para um shopping center, mas considerados de luxo para o estádio de futebol. Sorte que ele não foi aos sanitários da numerada, cuja entrada tem a mesma lógica do acesso às arquibancadas.

O que será feito até a Copa de 2014? Haverá estacionamento? A estação do metrô estará concluída? Os acessos serão melhorados? O torcedor sentará no assento marcado no ingresso? Haverá cerveja? Os banheiros serão decentes? Bem, enquanto nada disso for feito, o pernil pode voltar...

quinta-feira, novembro 22, 2007

Rir é o melhor remédio...

Expectativa de todos para assistirmos nosso 1º jogo da seleção canarinho. Éramos 6. Na verdade, 7, mas um de nós não pode ir ao jogo. Haveria de resolver uma prova da tal pós graduação. Poderia ter feito a 2ª chamada, mas a mesma cairá quarta-feira que vem, dia da redenção, do fim da zica, do adeus ao ano negro, do massacre Corinthiano perante o Vasco (tema de um próximo post).
Chegamos com 1 hora de antecedência ao salão de festas corinthiano. Clima estranho. Cadê as barraquinhas de sanduíche de pernil, ou os inúmeros vendedores de cerveja, fazendo com que a lei da oferta e da procura nos permitisse pagar "3 por 5"?? Hipocrisia dos governantes. Pra inglês (e o Blatter) ver.
Tomamos nossos lugares. Estádio lotado. Entrada das seleções, hinos, fogos. Tudo pronto pra uma grande festa.
Mas, não. Ronaldo Firula perde a bola e o Uruguai faz 1x0. Primeiras vaias. Estranho ver isso, pois ainda estávamos no 1/10 do jogo. Já vi a torcida do Corinthians gritar pelo time aos 80 e tantos minutos, após tomar a virada...
É certo que ninguém no estádio sente o mesmo amor pela seleção. Todos estavam lá pra ver o Robinho, o Kaká, o Firula. Não vimos nem isso, nem qualquer jogada trabalhada pelo time. A seleção é, hoje, uma união de consagrados jogadores que não formam um time. Um técnico sem qualquer força e credibilidade.
Conseguimos a virada, graças à individualidade de um jogador que não é unânime, e que não foi o motivo de nenhuma ida ao estádio. Mas agradou ao público, assim como o goleiro, que fez os paulistas engolirem a birra contra cariocas.
O saldo foi positivo. Muitas risadas, piadas e umas 3, 4 horas de diversão. Agora, futebol por futebol, fico com o meu Corinthians.

Enquanto o Lucas não escreve

Enquanto o Lucas, que esteve no Morumbi, não escreve, deixo algumas impressões.
A seleção estava apática.
Exceto Luís Fabiano e Júlio César (que rebate muito e com perigo), ninguém jogou minimamente bem.
O trio calafrio não se encontrava.
Os laterais jogaram melhor do que na partida contra o Peru, mas (quase me esquecia) eles jogaram contra o Peru?
Foi deprimente ver como Gilberto Silva, Mineiro e Alex perdiam nos lances rápidos. Josué não entrou bem e deu seguidos rebotes perigosos.
Não sei se era problema do meu televisor, mas os jogadores que atuam na Itália, como Júlio César e Kaká, pareciam meio gordinhos.
Mas, se a sorte continuar ajudando, venceremos o Paraguai e a Argentina e tomaremos a liderança.
Basta?

quarta-feira, novembro 21, 2007

Defesas

O êxodo de jogadores fez rarear uma estratégia das comissões técnicas: a de convocar o craque local. Antes era comum: jogo em Salvador, convoca-se o artilheiro do Bahia; em Recife, o meia do Sport; etc e tal.
Hoje, dá muito na cara fazer uma dessas. Mas Dunga não é muito sutil.
Para tentar vencer o desprezo dos paulistas, é possível que a seleção que joga depois da novela da Globo tenha meio time com alguma ligação com São Paulo: Alex, Kléber, Josué, Mineiro, Love e Luís Fabiano
De qualquer forma, falta alguém identificado com o Corinthians (Kléber está manchado após o episódio na torcida dos Santos), ou seja, com quase meio estádio.
Porém, uma ausência e uma presença podem levar a perder todo o empenho de Dunga em se mostrar simpático ao torcedor paulista.
A presença é a de Lugano, jogador que fez história na cidade.
A ausência pode ser escolhida, pois o fã de qualquer dos quatro grandes clubes paulistas (talvez até o da Portuguesa) tem a convicção de que seu arqueiro é melhor do que a dupla convocada e, sabe-se, o time começa com um goleiro.
A despeito dos pedidos de Ceni e Felipe para aplausos a Júlio César, será suficiente uma falha para que a pressão aconteça.
Doni é contestado até (e principalmente) pelos santistas e corinthianos; Júlio César é acusado de favorecimento desde a época em que o vende-tudo Zagallo estava na seleção. Dunga, porém, coloca-os num patamar de Yáshin.
Se o Brasil perder e ficar atrás da Venezuela (hipótese remota), qual será sua defesa?

terça-feira, novembro 20, 2007

Estádios

Em mais um daqueles textos para agradar, a FIFA põe em seu sítio uma breve adulação aos estádios espalhados por seus países amigos. Venera a história e a beleza de recintos como o Maracanã, o Camp Nou, Wembley e outros tais.
Sede recentemente escolhida, o Brasil tem citados, além do palco de seu maior infortúnio, os gigantescos (e um tanto anacrônicos) Morumbi e Mineirão.
Os três provavelmente serão exibidos para o mundo em 2014. Qual será sua imagem?
Outro dia, o Sidarta fez um apanhado dos estádios que gostaria de conhecer.
Não é nova a associação dos estádios a recintos religiosos como templos e catedrais. A paixão não tem limites e acaba se tornando religião. De outro lado, a relação com as artes também é reiterada: palco, cenário. Particularmente, prefiro as metáforas artísticas às religiosas e pensei nisso enquanto me lembrava de vários campos que a televisão já me mostrou para descobrir o estádio em que gostaria de assistir a um jogo.
Como não entendo de arquitetura, dispensei o critério "beleza" para fazer minha escolha. Não se deve esquecer que muito estádio bonito vira elefante branco. Lembrem-se dos construídos para a Eurocopa 2004: Portugal não sabe o que faz com eles.
Assim, vasculhando minha memória, cheguei a uma conclusão: o fã de futebol deveria ter o Azteca como primeira parada de seus roteiros, pois ali se exibiram em suas melhores jornadas os principais artistas da bola.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Ricardo Lucas

Ricardo Lucas é um jogador estranho.
Quando surgiu, já tinha vinte e três anos. Causou estranheza porque os artilheiros aparecem cedo, normalmente antes dos vinte. Diziam que ele começara no Nacional paulistano. Contudo, os ferroviários aposentados que freqüentavam o estádio da Barra Funda não se lembravam do rapaz. Ao que consta, na década de 90 o xodó da torcida era o Terrão.
Pois bem, Ricardo Lucas surgiu para o mundo em 97, fez mais de 50 gols e apresentou um sorriso fácil e uma testa larga que lembravam Leônidas.
Curiosamente, dez anos depois, ainda briga pelos 300 gols. Peregrinou por clubes e países, fez gol do meio do campo, de bicicleta, de letra, driblando. Mas ganhou poucos títulos, passou por fases de poucos tentos e de sumiços repentinos.
Agora, num ano penoso, deixa o clube em que foi mais feliz, tristemente brigado com a torcida.
Cogita-se que ele reforçará o Corinthians em 2008. Mas pode ser que vá para a Coréia ou para a Arábia.
Não se pode negar, entretanto, que está na história de nosso futebol, nem que seja para compor o lúdico quinteto com Dadá, Dedé, Didi e Dudu.

terça-feira, novembro 13, 2007

Dia 25 de novembro, na Javari

No dia 25 de novembro, domingo, será o segundo jogo da final entre o Moleque Travesso e o Linense, o Elefante da Noroeste.
A partida decidirá a Copa FPF e valerá uma vaga para a Copa do Brasil.
É uma boa chance para quem não conhece a Rua Javari.

segunda-feira, novembro 12, 2007

O Campeonato Islandês de futebol

A vida na Islândia é mais divertida do que parece. Um blog chamado Vida na Islândia elaborado por um brasileiro que lá vive mostra quão interessante pode ser habitar num dos países mais pitorescos do planeta. Vale a visita.

Quem quiser morar na Islândia não pode gostar muito de futebol. Todas as informações precisarão ser obtidas na internet. Estive lá em 2005 e as opiniões dos islandeses que conheci variavam entre o ódio e a total indiferença.

O blog traz uma postagem sobre a final do campeonato islandês do futebol. O autor alerta que nunca foi de gostar muito de futebol e não torcia para nenhum time no Brasil. Ele mostra as fotos da finalíssima tiradas da janela de seu apartamento. Notem que o estádio estava lotado, digno de uma final. Cerca de 500 espectadores (talvez 500 não pagantes, não sei). Além disso, é um programa de família. Os islandeses podem levar suas crianças a um jogo de futebol sem o risco de que elas se tornem fanáticas. Afinal, o castelo inflável montado atrás do gol é bem mais divertido do que um monte de marmanjo correndo atrás de uma bola durante uma hora e meia. Ao contrário do que acontece no Brasil, assistir a uma partida de futebol é um programa seguro para as crianças, pois o maior risco que elas correm é receberem uma bolada.

Para o Brasil, a Islândia, no futebol, é lembrada por ser a última partida da seleção em território nacional antes da conquista do tetra (em Florianópolis, 3X0). Também, salvo engano, foi contra a Islândia que Ronaldo, o fenômeno, fez o seu primeiro gol com a amarelinha.

No mais, a Islândia jamais disputou a Copa do Mundo. O Hafnafjördur foi eliminado daLiga dos Campões na segunda eliminatória. Sequer chegou perto. As notícias que chegam é que a Islândia está fora da Euro 2008. Está com apenas 8 pontos no Grupo F, na frente apenas de Liechtenstein.

O futebol islandês ficou mais triste com a recente morte de Elíasson, talvez o maior jogador da história.

Ainda chegará o dia que o futebol contagiará o povo islandês. Por enquanto, parabéns ao Valür, campeão islandês de 2007!

E o Corinthians se safa

A defesa de Felipe, mais do que aumentar a histeria dos torcedores em relação a ele, serviu para apontar um futuro melhor para o Corinthians. E, sabe-se, depois de uma crise dessas, se o Corinthians se mantiver na Primeira Divisão, volta a ser um time grande.
Os dois nomes de destaque do Goiás (Harlei e Baier) falharam. Felipe mostrou porque tem tudo para ser um novo Ronaldo. Só falta fazer um pouco mais de encrenca.
Para mim, contudo, Felipe lembra mais Dida do que Ronaldo. E Baier se esqueceu de que, com um goleiro grande, chutar rasteiro é perigoso. Chutar à meia altura pode resultar no tiro errado de Edmundo em 2000, mas diminui as chances do goleiro.
Agora o Goiás está muito próximo de se juntar ao Vila e ao Crac na série B.
Ah, o Atlético Goianiense também pode estar lá!

domingo, novembro 11, 2007

Cena de aeroporto em 2014

Este texo foi escrito por Ugo Giorgetti e publicado hoje (11/11/07) no Estadão. Muito bom.

Estamos em 2014.
O senhor Hans Reutberger- Sieblinsky está parado no meio do aeroporto de Guarulhos, perplexo. Ele é o chefe da delegação de um pequeno, porém tradicionalíssimo, país europeu, que tinha, no último minuto, obtido classificação para a Copa no Brasil. Depois de 13 horas de vôo e esperar por um tempo a seu ver intolerável para sair da alfândega com as malas e material esportivo, o senhor Sieblinsky estava realmente confuso. Olhava para o monte de passagens aéreas em suas mãos com o nome da empresa brasileira que faria a conexão de seu vôo com Belo Horizonte.
Certamente herr Sieblinsky estava entendendo mal o que lhe diziam. Afinal seu inglês não era grande coisa. O do seu interlocutor brasileiro, infelizmente, não era melhor. O fato é que tinha conseguido entender que a companhia aérea na qual sua delegação deveria embarcar tinha encerrado as atividades. Fechado. Closed down. Kaput. Como seria possível uma coisa dessas?! Ontem mesmo tinha falado com a companhia! Ela não só existia como confirmou o vôo!
Mas realmente não havia ninguém atrás do balcão da empresa. Nobody. Personne. Procurou imediatamente entrar em contato com o embaixador de seu país no Brasil. Uma gravação em português respondeu: "Esse número não existe."
Depois de ouvir com toda a atenção por três vezes a mesma mensagem, resolveu ligar para o cônsul, em São Paulo. Ao receber uma resposta em sua língua nativa, quase foi às lágrimas de alegria. Mas apenas por um momento. Logo depois o cônsul em pessoa o informou que sim, não só era possível empresas de aviação no Brasil quebrarem da noite para o dia, como a sua realmente quebrara. Olhando desnorteado para as inúteis passagens o sr. Sieblinsky arriscou: "Bem, podemos ir de trem." Julgou ouvir uma risada abafada do outro lado e soube que no Brasil há muito tempo não há trens. Pelo menos o que um europeu considera trem.
Já apreensivo, ao ver seus jogadores e a Comissão Técnica se amontoando no chão do aeroporto lotado, o homem teve forças para dizer: "Ônibus, então?" Ônibus, muito bem, vamos verificar. Horas depois, o cônsul ligou de volta, e para surpresa do sr. Sieblinsky, com voz natural, de quem está no Brasil há vários anos, declarou: ônibus também não dá. Haverá grande reunião de evangélicos em BH, onde são esperados 5 milhões de fiéis. Não há passagens.
Pelo som que o pobre sr. Sieblinsky emitiu pelo telefone, o cônsul percebeu que sua presença era requerida no aeroporto. Antes, porém, resolveu avisar: não tinha a menor idéia de quando ia chegar em Guarulhos, porque ameaçava chover e a Marginal ia virar um inferno. Além disso, o mecânico que tinha prometido entregar o carro do consulado "o mais tardar lá pelo meio-dia" não estava respondendo aos insistentes telefonemas. Ao desligar, uma coisa continuou intrigando o cônsul: por que herr Sieblinsky tinha reservado vôo para Belo Horizonte? Será que ele não sabia que a sede dos jogos do seu país tinha sido transferida, no último instante, para Goiás? Ninguém avisou? No fim o cônsul mandou chamar um táxi especial e saiu rumo à Marginal, soltando palavrões em sua língua nativa.
Na mesma noite foi ouvido o seguinte diálogo entre dois garis do aeroporto:
-Você viu o gringo que pirou no meio do saguão?
- Que time que era?
- Sei lá, Itália, eu acho.
BRAZIL!! ZIL ZIL!!


Vâmo Curintchá!

sábado, novembro 10, 2007

O técnico do ano

Ano passado, houve boa disputa para se eleger o melhor técnico do ano: se Abel ou Muricy.
O atual campeão brasileiro pode até se tornar o técnico da década, pois desde 2000 ganha um título por ano. E em clubes diferentes. Seus êxitos no Náutico, no Internacional, no São Caetano e no São Paulo revelam ao menos quatro trabalhos bem realizados. E, se a escalada continuar, depois dos estaduais e nacionais, a meta é a Libertadores.
Mas não tem jeito. O melhor técnico de 2007 é... Vágner Benazzi.
O cara é nervosinho igual ao Muricy. Também trabalha no clube em que jogou. Mas está fazendo algo mais difícil do que ser campeão: salvar um time.
Dois acessos no mesmo ano (falta um ponto em três jogos) não é coisa fácil.
A Lusa voltará a atormentar os grandes em 2008. E haja bolinho de bacalhau!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Acabou, mas tem mais

Os detratores dos pontos corridos dizem que o campeonato perde a graça logo.
De fato, para o São Paulo, que conquistou o título com a maior antecedência dessa nova era, o campeonato já acabou. Mas para os outros...
Juventude, Paraná, Goiás, Corinthians e Náutico: três destes cinco farão companhia ao Barueri na Segunda Divisão.
Cruzeiro,Flamengo, Palmeiras, Santos e Grêmio jogam suas forças pela Libertadores. Os outros dez clubes se divertem prejudicando seus rivais.
Enquanto isso a Lusa se prepara para se despedir da Série B,que pode se tornar um Campeonato Goiano em 2008.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Início da minha temporada do chinelinho


Fatores extra-campo me levam a esta minha temporada no chinelinho.

Caro leitor, conto com a sua compreensão.

Mas não prometo que não resistirei à tentação. Pode ser que uma vez ou outra escreva algo para cá.

No campo das conjecturas, pode ser que os outros também escrevam por aqui. Mas é o terreno do imponderável.

O Penta no Morumbi, para além dos debates, e a não queda do Agüinha para a Segundona são os fatos futebolísticos que me marcaram neste ano.



Aliás, eu estava no estádio quando o Rio Claro Futebol Clube venceu de virada e se garantiu na 1a do Paulistão de 2008. Esta história de Sidarta pé frio foi por água abaixo também. Mas isto não é, propriamente, um evento do futebol. É o fardo que meus amigos jogaram nas minhas costas e, finalmente, sai desta arapuca.

Acho que lá pro meio de Dezembro volto para cá. Dezembro e Janeiro, quando a bola não rola, é um período bom para as reportagens especiais do Na Cal. Por exemplo, já está agendada uma entrevista com um amigo que foi às finais em que o Basílio - Pé de Anjo tirou o Timão da fila e outras reportagens sobre o período de ouro do amadorzão em Barretos e em Rio Claro(os craques que ainda restam já estão todos de cabelos brancos!).

Até,

quarta-feira, novembro 07, 2007

Rapidinha

O São Paulo é campeão? Pensei que precisasse jogar contra o vencedor da Série B para isso.
Com a história de Copa por aqui em 2014, a CBF entrou forte contra a CPI da MSI, segundo o Chico Lang, e vários parlamentares retiraram suas assinaturas do pedido de instalação.

Quem quiser saber quais foram os muitos parlamentares que mudaram de idéia, dê uma olhada na lista publicada no Blog do Birner. Há nomes de peso nesta péssima lista: José Carlos Aleluia (DEM-BA), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Luciano Castro (PR-RR), Virgílio Guimarães (PT-MG), Maurício Rands (PT-PE), Ratinho Junior (PSC-PR/Filho do apresentador Ratinho),Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

Ia deixar este assunto de lado, mas vi a notícia que o Sr. Onaireves Moura foi pra cana novamente. Veja as manchete:

Aliado de Teixeira, ex-presidente da Federação Paranaense é preso


O ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Onaireves Moura, foi preso na manhã desta terça-feira, em Curitiba, numa operação do Núcleo de Repressão contra Crimes Econômicos (Nurce), ligado à Polícia Civil do Estado.

Ex-presidente da federação do PR, Moura é levado preso na Operação Cartão Vermelho
O ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol tem fortes ligações com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Por inúmeras vezes, houve troca de gentilezas entre os dois dirigentes.
(UOL Esporte)

Os blogueiros Angelo Rigon e pitoresco Fora Onaireves também já repercutiram o fato.

O Sr. Onaireves indiciado foi Presidente do Clube Atlético Paranaense e da Federação Paranaense de Futebol, não é pouca coisa.

A pergunta que fica é:

será que só o Sr. Onaireves estaria, a se comprovar o indiciamento, envolvido em malversações no futebol brasileiro?


Não aguentei, vou mandar esta pergunta para todos os parlamentares que retiraram suas firmas do pedido de CPI. Depois conto as respostas que as Autoridades me enviarem eventualmente. É muito provável que eu receba alguma explicação estapafúrdia que será dividida com você. Não quero me alegrar só.

O pintor colombiano Fernando Botero está em alta porque fez um trabalho inspirado nas violências do governo Bush. Este, a seguir, é sóbre a prisão de Abu Ghraib:
Imagem retirada de matéria do sítio TriveNYC

Os americanos e suas guerras são claros em quem estão contra. Aqui fica uma enrolação. Ora o cara é Deputado Federal e Presidente de Federação; ora é acusado.

Até,

terça-feira, novembro 06, 2007

Flamengo -- SPFC não tem filho deste tamanho

É compreensível que um torcedor do Flamengo queira a Taça do Brasileiro. Por qual motivo não a quereriam? Futebol não é razão.

Ao ver o Márcio Braga pedir a Taça ao São Paulo Futebol Clube, fiquei impressionado com papel que o cara se prestou. Um presidente de clube não pode pagar um mico destes.

Para quem ainda acha que não é queimar o filme falar o que o cartola falou, relembro o argumento que, em pleno domingão, que o Márcio colocou assim:

Curiosamente, quinze anos atrás, o rubro-negro cordialmente remeteu a taça para ser entregue ao Palmeiras em 93.



Antes de tudo, fui ao sítio do Flamengo na página dos Troféus. Lá, estranhamente, não encontro a Taça da CBF representando, pelo menos, todos os quatro Brasileirões organizados pela entidade que ganharam. Veja a montagem:

Nem vou pegar no pé dos caras que fotos da Taça da CBF para os três primeiros Brasileirões e nem colocaram para o de 92.

Mas o fato é que o Clube de Regatas Flamengo venceu o Brasileirão de 1992, ergueu a Taça, que agora deseja, recebeu o bem ambicionado e cordialmente remeteu a taça para ser entregue ao Palmeiras em 93.

Por que não mandaram avisar, na época, a CBF que não devolveriam-na?

O Flamengo não é dependente do Tricolor. Fica muito ruim esta demanda travestida de cordialidade, mas que, no fundo, pode marcar uma subordinação. O pior é que o Rubro-Negro não precisa do São Paulo pra nada. É o time com a maior mística, melhor marca e maior torcida do Brasil. Uma administração profissional não faria dano também.

Se a Copa União valer, os louros têm de ir pro Santos de Pelé. Este time sim é o fenômeno do futebol e não é tão cultuado como seria se já existisse um Brasileirão na sua época.

Espero não ter sido muito rude. Mas tinha de colocar este fato de modo bem claro, ou prolixo.



Abraços,

domingo, novembro 04, 2007

O jogador da década

Quando se menciona uma década, automaticamente esta é associada com seu grande jogador.
Assim, de 60 para frente, tivemos Pelé, Rivelino, Zico, Romário.
Os anos 00 estão acabando e ainda não se sabe quem é o jogador desta era. Ronaldo parecia ser o cara. Foi prejudicado por contusões e desinteresse pela própria carreira.
Ronaldinho Gaúcho continua sendo o jogador que brilha apenas em jogo ganho. Kaká surge com força, mas ainda não se aproxima de nenhum dos jogadores das décadas anteriores.
O curioso, contudo, é que nenhum deles ultrapassou Rogério Ceni no percentual de votos na Seleção de dez anos do diário Lance!
Dos jogadores em atividade (considerando Romário como diletante)ou, se preferirem, dos jogadores que poderiam disputar a Copa de 2010, Ceni tem o maior percentual de votos (59,59), deixando para trás Ronaldo (55,45), Gaúcho (52,94) e Kaká (44,57).
Entre atuantes e aposentados, Romário, como era esperado, tem a maior votação (84,09), curiosamente seguido por Mauro Galvão (81,88).
Obviamente, não é de esperar que um goleiro seja considerado o melhor jogador de uma década (Rogério pode até perder o posto de melhor do ano para Felipe, responsável pelas esperanças alvinegras), mas a votação reflete um certo desencanto com nossos atacantes.
Abaixo, transcrevo a seleção, como os segundos e terceiros, nessa ordem, entre parênteses:

Rogério (Marcos e Dida), Cafu (Cicinho e Belletti), Juan (Aldair e Lúcio), Mauro Galvão (Roque Júnior e Antônio Carlos) e Roberto Carlos (Júnior e Kléber); Dunga (César Sampaio e Gilberto Silva), Mineiro (Zé Roberto e Vampeta), Kaká (Juninho Pernambucano e Marcelinho Carioca) e Ronaldinho Gaúcho (Rivaldo e Alex); Ronaldo (Edmundo e Robinho) e Romário (Evair e Luizão).
A quem interessar, com as opções dadas, meu time seria: Dida, Cafu, Aldair, Mauro Galvão e Júnior; César Sampaio, Mineiro, Kaká e Rivaldo; Edmundo e Romário.

Discussões

O tempo está para discussões.
A primeira é sobre o pentacampeão legítimo. Com quinze anos de atraso, o Flamengo reivindica uma taça que esteve em sua sede em 92.
Curiosamente, quinze anos atrás, o rubro-negro cordialmente remeteu a taça para ser entregue ao Palmeiras em 93.
Talvez porque soubesse àquela época que quem designa campeão brasileiro é a CBF, não o Clube dos 13.
O Campeonato conquistado em 87 é a taça dos grandes. Covardes que não conseguiram manter a rebeldia por mais de um ano.
Assim como a Taça Brasil não era campeonato Brasileiro, apenas um arremedo do que hoje é a Copa do Brasil.
O penta é o São Paulo. Como seriam Corinthians ou Palmeiras. E, para falar com rigor, não seria o Vasco.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Libertadores, qualquer dia...

... tamo aí. O Flamengo chega lá e só depende de si para entrar na Libertadores. As línguas que aproveitaram quando o time estava na zona de rebaixamento para criticar o time, muitas vezes de forma desonesta, já que o rubro-negro tinha jogos a menos, queimaram-se todas.

O sucesso do Flamengo é devido a um esquema baseado em quatro jogadores: os dois laterais, Léo Moura e Juan, Ibson e Fábio Luciano. Tem também o Maxi, que faz bonito, e o Souza, que de vez em quando joga e o Bruno, que salva. Tem os coadjuvantes, o Jaílton, o Cristian e o Toró, que poderiam facilmente ser trocados por outros jogadores sem grandes prejuízos. Tem também Joel.

E tem a torcida.